quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

A desonestidade humana

É da natureza do desonesto enganar usando mentiras." (Cícero)

Todos os dias nos deparamos com situações, pessoas e atitudes que se encaixariam perfeitamente com o ser 'honesto'.

Lamentavelmente, não raras as vezes nos deparamos com pessoas profundamente desonestas.

Desonestas no falar, no agir, no pensar, no sentir.

A honestidade, e por consequência a desonestidade, encontram-se intimamente ligadas aos "princípios éticos humanos".

A desonestidade é um sentimento anômalo que se exterioriza em ações corruptas e más.

Aliás, a maldade é uma desvirtualização de um dos "princípios éticos humanos", sendo o segundo propósito da desonestidade.

O primeiro propósito da desonestidade é o lucro. É a auferição de vantagem às expensas alheias. É, coloquialmente, a velha trapaça, fazer os outros de bôbos, passar a perna.

Ninguém consegue escapar do desonesto. Repito: ninguém.

O desonesto parece ter o gosto de adentrar na vida social, nas relações humanas, botar suas "garras" e, liso e malandro, esquivar-se de tudo e todos, semeando a falácia.

Quer um exemplo? Um senhor alcolizado e sem carteira nacional de habilitação colidiu seu carro contra outro (veic. 1), que ainda foi empurrado contra outro veículo (veic. 2) que estava estacionado obliquamente (ao lado). A camionete (veic. 1) estava parada (!!!), estacionada em frente a casa do proprietário. Esse senhor colidiu seu antigo carro, causando danos enormes nos dois veículos que estavam parados, estacionados, e depois fugiu! Ainda bem que logo depois a polícia o pegou.

No outro dia as vítimas ligaram para ele. E sabe o que ele disse? Que não iria pagar o conserto dos veículos, porque as vítimas tinham, igualmente, "culpa pelo acidente". Culpa pelo acidente? Com os carros parados e ele embriagado e sem CNH albarroando e causando danos? Isso é o retrato claro de um desonesto!

O desonesto tenta maquiar a cena do crime. Tenta livrar-se da espada afiada da justiça respaldado em alegações fúteis, absurdas, inacreditáveis e espúrias.

Como mudar a situação de tanta desonestidade? Primeiro é preciso que tomemos consciência do que realmente somos para depois empreendermos as mudanças necessárias no nosso comportamento. A partir de então deve-se procurar mobilizar a sociedade como um todo para a necessidade de se aprender a respeitar o próximo. Desonestidade é, sobretudo, desrespeito pelo próximo; todo ato desonesto implica em algum tipo de desrespeito.

Enfim: a desonestidade é um nojo, que merece repúdio e toda forma de contra ataque.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Com homenagem ao Inter, Imperadores é campeã do carnaval de Porto Alegre

A Imperadores do Samba sagrou-se a campeã do carnaval de Porto Alegre em 2009, ao alcançar 239,4 pontos. A disputa entre as escolas foi acirrada, confirmando o alto nível dos desfiles quando a Imperadores se firmou como uma das favoritas ao campeonato. Unindo duas paixões do brasileiro, carnaval e futebol, a Imperadores homenageou o centenário do Inter e os 50 anos da própria escola. Assim, a Imperadores entrou na avenida na madrugada do último sábado (21/02) no sambódromo de Porto Alegre com o samba enredo '150 anos de história: vermelho e branco, uma só paixão'.

No desfile a Imperadores do Samba apresentou 26 alas, cinco alegorias e dois mil componentes, beleza, animação, fazendo todo o público nas arquibancadas cantar com os sambistas e carnavalescos. O samba enredo caiu na graça do povo: "Papai é o maior/ papai é o tal/ canta forte a galera/ pula Saci/ é dia de festa/ delírio total/ vamo, vamo, Inter! Faz o gigante explodir", cantavam todos num coro só. As fantasias e alegorias também falaram de títulos, times inesquecíveis, personagens memoráveis, a força da torcida mundo afora com muito luxo e brilho.

O resultado final do carnaval confirmou o bom trabalho realizado pela escola de samba e pelos colorados envolvidos, é a força da maior e melhor torcida do Rio Grande, do Sport club Internacional, junto da campeoníssima Imperadores do Samba. Em segundo lugar ficou a Império da Zona Norte, com 238,9. A Estado Maior da Restinga ficou em terceiro, com 238,8, seguida da Imperatriz Dona Leopoldina, com 238,7. E em quinto lugar, ficou a Bambas do Orgia, com 238,6. No próximo sábado (28/02) tem o desfile das primeiras colocadas novamente na passarela do Complexo Cultural do Porto Seco.

Confira a letra do samba enredo:

150 ANOS DE HISTÓRIA
VERMELHO E BRANCO, UMA SÓ PAIXÃO
(Alessandro Antunes)

BATE MAIS FORTE O MEU CORAÇÃO
VERMELHO E BRANCO HOJE INVADE A CIDADE
SOU COLORADO, SOU IMPERADOR
NESSE MAR EU VOU, QUE FELICIDADE!

Oh, Terra Mãe
Do futebol, do carnaval, da fantasia
Na Terra Mãe
Um grande clube, Internacional nascia
De uma família surge um sonho a desbravar
De uma multidão concretizou
Batalhas e batalhas nos gramados
Brilhou, brilhou, brilhou...
Nos Eucaliptos, o palco da magia. Rao hilariante
Fazia o Rolo Compressor vibrar
Com a maior torcida do Rio Grande

PAPAI É O MAIOR, PAPAI QUE É O TAL
CANTA FORTE A GALERA, PULA SACI!
É DIA DE FESTA, DELÍRIO TOTAL
VAMO, VAMO INTER! FAZ O GIGANTE EXPLODIR

Feitos relevantes, senda de glórias, o vencedor
Colorado, celeiro de craques
O mundo conheceu o teu valor
E hoje o centenário se anuncia
Imperadores, vem te homenagear
A escola de bambas, resistência do samba
Orgulho da cultura popular
Vem "Povo Meu" comemorar
Que ainda resta um lugar na nossa escola
Desça da arquibancada e caia na folia
150 anos de alegria. --

É o Internacional seguindo na senda "Campeão de Tudo". Agora, até do carnaval!

(Foto: carro alegórico 'Surge o gigante da maior torcida do estado' remeteu ao clima do Gigante da Beira-Rio)

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A decisão pró-Chávez e a ditadura (velada)

A emenda constitucional que propõe a reeleição ilimitada do presidente e dos detentores dos demais cargos públicos na Venezuela foi aprovada no referendo realizado neste domingo (15), com 54,36% dos votos, anunciou a presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Tibisay Lucena.

A eleição definiu que qualquer pessoa já no poder poderá disputar uma reeleição indeterminadamente. A vitória do "sim" beneficiou o presidente Hugo Chávez, que fez campanha por esse resultado. Ele pode agora se candidatar para um terceiro mandato consecutivo em 2012, e assim por diante.

A oposição conseguiu 45,63% dos votos, segundo este primeiro boletim oficial. A abstenção foi de 32,95%, segundo o CNE.

"Queremos felicitar o povo da Venezuela por seu comportamento cívico e democrático no dia de hoje. Foi um dia extraordinário", felicitou Lucena.

"Abrimos de par em par as portas do futuro. A Venezuela não voltará ao passado da indignidade. Foi uma grande vitória! Aqui está o povo de Simón Bolívar levantando as bandeiras da dignidade! Vitória, vitória, vitória popular!", afirmou Chávez para uma multidão diante do palácio presidencial de Miraflores em Caracas.

O presidente considera que precisa de mais dez anos no poder para consolidar a "revolução bolivariana" e aprofundar as conquistas sociais que afirma ter obtido desde sua eleição em 1998.

Os opositores afirmavam que a emenda atentava contra o princípio da alternância, consagrado na Constituição, e lembraram que a reeleição sem limites já fora rejeitada em um referendo em 2007. Também afirmaram que a modificação da Carta Magna respondia ao desejo do presidente de perpetuar-se no poder.

Em seu discurso, Chávez declarou que a "verdadeira perpetuidade" é a da pátria e opinou que seu governo "ressuscitou a pátria que estava morta".

O líder cubano Fidel Castro (por que será?) foi o primeiro a enviar felicitações a Chávez por sua vitória.

Pois bem. Tudo visto acima é uma verdadeira ignomínia. É um ultraje. É a destruição da democracia.

A perpetuação no poder, instituída por Chávez, não é, nem chega perto da democracia. Pelo contrário, é uma distorção da democracia.

A democracia é um regime de governo onde o poder de tomar importantes decisões políticas está com os cidadãos (povo), que o fazem, neste caso, através da democracia indireta, escolhendo os representantes que tomarão as decisões em nome daqueles que os elegeram.

Contudo, é crível que os representantes do povo para a eleição majoritária devem ser limitados em número de eleições, só podendo candidatarem-se duas vezes (eleição e reeleição). Caso contrário, não seria democracia e sim ditadura. Vejam vocês o exemplo de Fidel Castro, que isolou Cuba dos outros países, prejudicando as camadas mais baixas da população (sempre os verdadeiros atingidos), sofrendo até hoje em virtude da miséria exteriorizada pelos embargos econômicos. Pura sede de poder.

Em pleno séc. XXI, chega a ser macabro o ressurgimento de uma ditadura, de uma perpetuação de "trono", criada por Chávez.

Nós brasileiros, não podemos apenas olhar e fazer de conta que por ser em outro País, não nos atingirá. Estupidez. Pelo contrário, seremos atingidos vertiginosamente. Lembrem da vizinhança da Venezuela com o Brasil. Lembre dos laços estreitos de Lula com Chávez e Fidel. Note as semelhanças em ideologias e discursos martelados na cabeça do (pobre) povo, misturando idéias populistas com ditatoriais. Escute o que diz a situação do Congresso Nacional. E agora, com a decisão venezuelana, será que alguém daqui não irá encorajar-se e tentar criar uma espécie de ditadura? Afinal, deu "certo" em Cuba, Venezuela... E não duvide que em um futuro próximo possamos ter a perpetuação do poder externada por Lula. Afinal, "nunca na história desse país" as coisas foram tão "bem" (marolas, apenas marolas...).

O povo, lógico, é quem pagará, mais uma vez, pelas insanidades imorais que insistem em viver em homens que adoram o som da sua própria voz, arrogantes e ditadores, como Chávez, Castro e muitos outros, como um certo metalúrgico.

O alerta deve estar ligado, pois estou temendo o futuro democrático do Brasil com esta decisão vinda da bela Venezuela.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Exame de Ordem (OAB): imprescindível para formação do bom profissional

Muitas comentários pairam no ar sobre o baixo índice de aprovação no Exame da OAB.

A meu ver, isso deve-se, em primeiro lugar, a precariedade de algumas instituições de ensino que não preparam o aluno/examinando como deveriam.

Em segundo lugar, o próprio aluno/examinando não dedica-se realmente ao estudo, não absorve os ensinamentos prestados durante o curso de Direito e desleixa-se no trato ao estudo consistente para o Exame em questão.

Terceiro lugar, imperioso dizer que alguns concursos públicos exigem um tempo mínimo de "atividade jurídica", ou seja, dois ou três anos efetivamente com a carteira da OAB, e isso faz com que muitos bacharéis/examinandos, na busca de fazer parte do quadro da Magistratura ou do Ministério Público, muitas vezes estudam voltados para outro lado, para esses concursos, e esquecem que o Exame indaga o oposto, o lado da Advocacia. Alia-se tudo ao fato que o nervovismo faz diferença em um momento decisivo, pela questão emocional, na ora da prova.

Aliás, assim sendo, denota-se que o próprio Judiciário é completamente a favor da seleção de bacharéis através do Exame. Então, por que outras classes seriam contra?

César Luiz Pasold faz outra indagação: por que em nosso País, ninguém questiona, por exemplo, a necessidade de concurso público para ingresso nas carreiras da Magistratura e do Ministério Público?

Porque - em resposta bastante simples mas objetiva - ninguém duvida de que o exercício daquelas atividades profissionais requer habilidades intelectuais e cognitivas, percepções culturais e competência técnica bem caracterizadas e específicas.

Ora, o exercício da Advocacia também requer peculiares habilidades, conhecimentos e técnicas!

Pois, para o ingresso ao seu exercício, faz-se, também, necessária a verificação da existência, nos candidatos à profissão de Advogado, de tais atributos e isto se perfaz através do Exame de Ordem!

Em tempo: o Exame de Ordem é determinação legal, sustentada constitucionalmente e é medida necessária para que a advocacia seja exercida somente por aqueles que para ela estejam efetivamente preparados e o demonstrem logrando êxito nas provas de verificação de conhecimentos jurídicos e de domínio das técnicas específicas ao pleito legítimo da consagração da Justiça. Para este mister, nunca será demais lembrar, o Advogado é indispensável, ex vi do artigo 133 da Lex Fundamentalis brasileira em vigor.

Foi criado o Movimento Nacional dos Bacharéis em Direito, que, entre outros, defende a ideia que o Exame é elitista e cerceia o direito do bacharel em exercer a profissão. Não conheço o movimento a fundo, apenas conheço pessoalmente o seu presidente, mas pergunto: por que o bacharel não poderia fazer a Prova ou teria tanto medo assim? Seria preguiça de estudar? Seria o asco do vexame? Tolice... Veja, compartilho contigo sobre um amigo de meu tio, de outro estado, que hoje é Juiz de Direito. Sabe quantos concursos ele participou até alcançar seu objetivo? Nada mais, nada menos que 11 (!!!) concursos públicos para Magistratura.

A Prova é difícil, os bacharés que colaram grau depois de 1997 sabem disso. Mas estudando, dedicando-se e mantendo a meta, todos conseguem alcançar seus objetivos. E me parece até ser um pouco desvirtuado de seus fins movimentos que pregam a extinção do Exame.

Há espaço para todo mundo. Os tempos modernos fazem com que as relações humanas sejam interferidas por atos, fatos, ações e vontades que agem na vida e/ou no patrimônio das pessoas. E para resguardar ou buscar direitos, somente o Advogado poderá fazê-lo, indispensável no tripé constitucional, quais sejam, Acusador, Defensor e o Julgador.

Enfim. Sou a favor e defensor ferrenho da mantença e aplicação do Exame da OAB, pois só assim, no Brasil, a advocacia possa ser exercida por aqueles que respeitam as Leis, o Direito e sobretudo amam e buscam a Justiça, com independência e liberdade, o verdadeiro Advogado.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Um novo Fórum para Santiago

"Pensamentos retrógrados incentivam o preconceito"

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul já decidiu: um novo Fórum será construído em Santiago, para alegrias de uns, e, acredite, descontentamento de outros.

Os Advogados da Subseção Santiago/Jaguari, em sua esmagadora maioria, em votação simbólica, aprovaram a construção do novo Fórum, o qual será construído perto da URI - Santiago, no bairro São Vicente.

O Prefeito de Santiago e o Legislativo também apóiam a nova construção. E creio que a sociedade também apoia.

Temos visto algumas pessoas se manifestarem contra a construção, entre elas alguns colegas Advogados. Respeito a opinião de todos, afinal, vivemos em uma democracia. Democracia esta conquistada, também, com muito esforço e apoio incondicional da Ordem dos Advogados do Brasil, diga-se.

Aliás, se falássemos em construção de um novo Hospital, será que teria alguém contra? No hospital tratam a saúde das pessoas. É um lugar onde trabalham muitos profissionais como médicos, enfermeiros, farmacêuticos, nutricionistas e muitos outros. E o Fórum? O Fórum é o lugar onde discute-se os Direitos dos cidadãos. Cuida-se da vida e do patrimônio das pessoas, lugar em que trabalham diversos profissionais como Advogados, Juízes e Promotores, entre muitos outros. Então, por que ser contra a construção de um novo Fórum?

Entendo que o Município só tem a ganhar com um novo.

Pensem comigo: levamos para perto da Universidade. A Justiça Federal não tem prédio próprio, e logo irá construir o seu perto do novo Fórum. A Vara do Trabalho não tem prédio próprio, e sabemos que sonda, se permanecer aqui, construir prédio, e perto do novo Fórum. A OAB/RS Subseção Santiago/Jaguari não tem prédio próprio, e, quem sabe, também possa, no futuro, construir o seu, e igualmente perto do novíssimo Fórum.

Assim, vendo acima, vemos a centralização do Poder Judiciário e da OAB em uma zona só. Quem ganha com isso? Advogados, Juízes, Serventuários, Promotores, partes, enfim, toda a comunidade!

Acho um pensamento deveras retrógrado a alegação que o Fórum deve ser no centro de uma cidade. Do que adianta ser no centro se a estação rodoviária ficar distante? E digo mais. Para mim é pífia a alegação que a comunidade carente será atingida caso o Fórum se desloque para um bairro longe do centro. Isso porque podemos contar nos dedos quantas pessoas de nível mais baixo monetariamente moram no centro: a maioria mora nas vilas e bairros distantes, e necessitam pegar ônibus para chegarem ao centro e consequentemente ao Fórum. Com a nova construção o ônibus igualmente terá quer ser usado, porém com um novo destino e tempo de viagem talvez um pouquinho maior. Apenas isso.

Não é preciso ser jovem ou velho, experiente ou não para vislumbrar as benesses que a nova construção trará. A cidade se adaptará, com linhas de ônibus e táxis que farão o trajeto dos bairros ao Fórum; construção de restaurantes no entorno; livrarias e etc.

E quem duvide, que analise o exemplo de Santa Maria, que conseguiu centralizar órgãos da Justiça em um lugar só, e bem distante do centro. E alguém reclama disso? Não, pois na mesma "parada" que pegar-se-ia o ônibus para qualquer outro bairro, há um específico que leva à Alameda Argentina, onde centralizou-se a Justiça naquela Cidade. Isso é pensar realmente na comunidade.

Sou a favor sempre do crescimento, da novidade, e repudio idéias retrógradas e pensamentos desvirtuados para segundas intenções e espero, realmente, o apoio total dos Advogados e de toda a comunidade.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

STF decide que réu só pode ser preso após condenação definitiva

O Supremo Tribunal Federal (STF)decidiu em plenário, pela maioria dos ministros na quinta-feira (5), que um agricultor condenado em segunda instância por tentativa de homicídio poderá aguardar a decisão da Justiça em liberdade até que se esgotem as possibilidades de recurso.

A decisão fixa jurisprudência, ou seja, se torna um entedimento jurídico, e poderá ser aplicado em futuros julgamentos do próprio STF e de outros tribunais sobre casos semelhantes.

A interpretação dos magistrados, porém, não livraria da cadeia réus com prisão preventiva ou provisória devidamente justificada pelo juiz, mesmo que os mesmos estejam aguardando análise de recursos contra condenação imposta pela Justiça.

STF e STJ

No caso em questão, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou decisão em primeira instância da Justiça de Minas Gerais, que condenou o agricultor, e determinou a expedição de ordem de prisão contra o réu. Atualmente, o STJ tem aplicado a súmula 267, que fixa que a existência de recursos judiciais não impede a expedição de mandatos de prisão.

No entanto, por 7 votos a 4, os ministros do Supremo contrariaram a súmula do STJ, seguindo a interpretação do relator do processo no STF, ministro Eros Grau. Ele defendeu a tese de que a prisão, antes do julgamento de todos os recursos cabíveis, ofenderia o artigo 5º da Constituição Federal, que garante que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. A discussão do processo em plenário causou divergências entre os ministros, mas prevaleceu a tese defendida por Eros Grau. Acompanharam o voto do relator, Celso de Mello, Cezar Peluso, Ricardo Lewandowski, Ayres Britto, Marco Aurélio Mello e Gilmar Mendes.

'Dano irreparável'

Para o ministro Ricardo Lewandowski, a privação da liberdade é algo irreversível e incompatível com o princípio da razoabilidade. Ele destacou que, ao cumprir uma sanção que ao final pode ser reduzida ou até revertida, o réu estaria sofrendo um “dano irreparável”.

Entretanto, segundo ele, o entendimento do STF “não afasta a possibilidade de o juiz justificadamente decretar a custódia cautelar”, ou seja, prisões preventivas ou provisórias. O ministro Carlos Ayres Britto, que também votou a favor da liberdade ao agricultor, afirmou em plenário que ninguém pode ser considerado culpado até o transito em julgado da sentença condenatória. “A regra é a liberdade. Ninguém será preso, senão em flagrante delito”, defendeu.

'Faz-de-conta'

A argumentação da maioria, porém, não convenceu os ministros Carlos Alberto Menezes Direito, Cármen Lúcia, Ellen Gracie e Joaquim Barbosa. Para Barbosa, o entendimento da maioria dos colegas é incompatível com um modelo penal eficiente.

“Se tivermos que esperar os deslocamentos de recursos, o processo jamais chegará ao fim. Estamos criando um sistema penal de faz-de-conta. Não conheço nenhum país que ofereça aos réus tantos meios de recursos como o nosso”, criticou.

Já Menezes Direito citou o Pacto de São José da Costa Rica, assinado em 1969 por diversos países, entre os quais o Brasil, que estabelece o não-impedimento da prisão em casos em que ainda cabe recurso, desde que o decreto de prisão respeite a lei do país. “O sistema brasileiro permite a prisão diante de uma decisão de condenação, ainda que em primeira instância”, disse.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

A fofoca

“A fofoca é o mais desprezível dos vícios; pois, por não poder influenciar o espírito e o caráter dos sábios, rasteja como uma serpente venenosa e refugia-se na alma dos fracos, tolos e ociosos” (Gutemberg B. de Macêdo)

A fofoca é um mal que se propaga com a velocidade do som; elas têm a força dos ventos e o poder destrutivo de um terremoto. Com elas, especuladores de plantão conseguem provocar a alta ou a queda de ações das bolsas de valores e influenciar o desprestígio ou a ascensão de governantes e nações. Com elas, pessoas inescrupulosas põem em cheque a reputação de homens ou mulheres e a imagem de organizações, públicas ou privadas. As fofocas contaminam os bons costumes, azedam as relações interpessoais, destroem a eficácia do trabalho de profissionais e o ambiente de trabalho de inúmeras empresas. Além disso, põem em risco o patrimônio empresarial e as relações trabalhistas entre empregadores e empregados, promovem o favorecimento indevido de uns e a demissão sumária de outros, semeiam o radicalismo e o ódio, dentre tantos e tantos efeitos nocivos.

As fofocas, dificilmente, têm propósito construtivo, educativo ou mesmo, corretivo. A razão é muito simples: os fofoqueiros ignoram o momento de encerrar a busca por novas informações; além disso, eles geralmente as modificam e enfeitam antes de transmiti-las, com o propósito de torná-las um salvo-conduto, apto a lhes assegurar vantagens e lucros pessoais, mesmo que não sejam duradouros.

Não há exército capaz de detê-las, espiões preparados para rastrear suas pegadas desde sua origem, testemunhas conscientes e dispostas a confirmá-las; promotores aptos a denunciá-las ou juízes conscientes e decididos a condená-las. Portanto, a sua volta não existem leis, discrição, policiamento, segurança, padrões éticos, dignidade, verdade ou justiça. Elas atacam indistintamente, amigos e inimigos mortais, ricos e pobres, poderosos e fracos, jovens e adultos. Como folhas secas, elas costumam flutuar na superfície. Afinal, os fofoqueiros não são pessoas que gostam de mergulhar nas profundidades à busca de pérolas, mas preferem as superfícies. Justifica-se a sábia análise de Platão, um dos pais da filosofia grega: “Os sábios falam porque têm algo a dizer; os tolos, porque têm de dizer algo".

E a fofoca é maior exercida nas pequenas cidades. Vejam vocês que existem pessoas (maldosas, diga-se) que lêem as coisas, interpretam como bem lhes apraz, e saem por aí distorcendo situações e fofoqueando, semeando a discórdia e a maldade.

Exemplo prático houve em um blog de Santiago. Algumas pessoas de uma pequena cidade vizinha distorceram as palavras de uma postagem e afirmaram que o blogueiro havia chamado um amigo de traidor, ao escrever um texto sobre a inveja e dedicar a alguém. E o pior. Estas pessoas maldosas e fofoqueiras, sem noção alguma do perigo que correm ao sair por aí difamando terceiros, jogaram ao vento inverdades, em uma verdadeira ignomínia.

Barry Eigen, registrou essa particularidade ao escrever: "Confiança é a chave. É a crença na lealdade de outra pessoa. É a fé em sua capacidade de pensar e em seu julgamento, sabendo por antecipação que seu comportamento será sempre adequado, em qualquer circunstância. É ter certeza da integridade e da ética do outro, é sentir-se tranqüilo, quando a pessoa assume o comando. Significa ainda, poder contar com ela, tendo a certeza de que as situações difíceis serão tratadas de maneira correta, racional, pronta e eficiente. Enfim, confiar é ter segurança". Quando a fofocagem se torna um hábito entre as pessoas, seus efeitos negativos não demoram a aparecer. Paira um sentimento de desconforto, insatisfação, suspeita, e até mesmo de paranóia.

E por isso que a fofoca é insuportável. É desumana. Quem fofoca rejeitou tudo aquilo de bom que o Pai ensinou: o fofoqueiro é um ser cruel e criminoso.

(Síntese: www.vocesa.abril.com.br e Gutemberg B. de Macêdo)