Duas das defesas mais aguardadas do julgamento acontecem nesta semana. Ambas sustentadas por advogados do Rio Grande do Sul.
Hoje, sobe à tribuna Luiz Francisco Corrêa Barbosa, que representa o ex-deputado Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB, delator do mensalão. Na quarta-feira, fala Luciano Feldens, em nome do publicitário Duda Mendonça.
Os dois advogados passaram o fim de semana em Brasília, preocupados em lapidar a apresentação. No misto de quarto e escritório que mantém no Hotel Nacional, Barbosa trocou mensagens com Jefferson, acusado de lavagem de dinheiro e corrupção passiva, que se recupera no Rio de Janeiro da retirada de um tumor no pâncreas.
O gaúcho vai sustentar que o cliente recebeu R$ 4 milhões para empregar nas eleições municipais de 2004, transferência entre o PT e o PTB que seria legal. Confirmará a existência do mensalão, mas com interpretação diferente:
— Há registros no Banco Rural de que o dinheiro foi entregue para políticos. Isso é o mensalão. Se o dinheiro quitou dívida de campanha, pagou conta de telefone ou cartão de crédito é outra história.
Barbosa mantém a rotina de ataques ao procurador-geral, Roberto Gurgel. Vai insistir em questionar a ausência do ex-presidente Lula entre os réus da ação penal:
— Quero que o procurador-geral explique seus motivos à nação.
Feldens, por sua vez, traçará defesa técnica, na dobradinha com Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. Os dois representam Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, acusados de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
O gaúcho pretende comprovar que os clientes receberam cerca de R$ 11 milhões, parte depositada em contas no Exterior, sem irregularidades:
— Os valores eram previstos em contratos por serviço prestados na campanha que elegeu Lula presidente em 2002 — destaca Feldens.
(ZH)
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