Compartilho os e-mail que venho recebendo sobre a atuação do advogado e a advocacia no Brasil.
"...a impressão que colho do teu relato e de tantos outros colegas que me escrevem é que, apesar da formulação de algumas teses controvertidas, no geral o Professor Padilla está certo, há uma campanha de desmanche da advocacia, e, eu me atrevo a acrescentar, também da imprensa livre, basta ver as articulações para a volta da censura e controle da internet, “lei da mordaça” etc.
Penso que algumas correntes dentro do judiciário estejam sendo manipuladas de alguma forma, por alguma força, para tal desiderato, além da velha campanha contra a imagem da advocacia, e coisas do gênero.
Qualquer juiz em são consciência sabe que perseguir a advocacia é dar um tiro no próprio pé, Napoleão Bonaparte fez isso, mas foi aconselhado por um seu Ministro a retroceder sob o fundamento de que, no caso de algum revés futuro, quem o defenderia? Assim ele reabilitou o exercício da advocacia na França e depois, preso na ilha de Elba, execrado por todos, contou apenas com a incansável ajuda de um advogado em sua defesa.
Hitler quis fazer a mesma coisa, porém, foi dissuadido por seus colaboradores próximos, talvez, em face ao exemplo de Napoleão.
Se serve de consolo, posso afirmar que há correntes divergentes dentro da magistratura, juízes sensatos e dignos que não compactuam com ativismo ideológico e político partidário, nem tudo está perdido, ainda “há juízes em Berlim”!
Vamos em frente, a luta continua, não tá morto quem peleia!
Abraço do colega e amigo,
Rogowski".
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"... o aconselhamento de Don Alfredo, sensato e até mesmo corretíssimo, como de alimentar-se bem durante o trabalho, bem demonstra a visão de um magistrado.
E esse é o ponto nevrálgico que eu quero atingir. Já afirmei várias vezes que os juízes, salvo exceções, não tem a correta compreensão da advocacia.
O advogado, àquele vocacionado de alma e coração, é um guerreiro nato, um Samurai, em suas veias corre adrenalina, o advogado quando vai a uma audiência, ela vai para uma batalha, dependendo da gravidade da causa, a adrenalina é tanta que começa a sair pelos poros, não raro se transformam as feições do rosto, a voz, o gestual, e ainda que não intencional acaba intimidando alguns julgadores reativos que terminam adotando posturas de antagonismo como que impelidos por um instinto de auto defesa.
Seria de todo aconselhável dormir bem, alimentar-se bem antes de uma “batalha”, porém, quem é do ramo sabe que simplesmente isso não é possível, o corpo não aceita. O organismo mobiliza toda a força vital e psíquica para o “ataque”.
Os profissionais do ramo da psicologia certamente saberão explicar esse fenômeno, eu penso que isso tenha a ver com algum instinto primitivo de preservação da espécie, da proteção do semelhante, que aflora das profundezas do ser, quando alguém entrega nas mãos do advogado uma fração importante de sua vida para ser protegida, seja patrimonial, seja familiar ou a liberdade.
Rogowski".