segunda-feira, 29 de março de 2010

Pesca de traíras e a salvação das "crank baits"

Ainda atacando de "pescador", quero comentar um assunto interessante e técnico.

Núltimo sábado a tarde (27), eu e meu amigo Maurício Nicola Dalosto saímos para pescar traíras em um rio, no barranco.



Neste rio as traíras são de bom porte, visto pouca pressão de pesca em virtude do isolamento daquele local por dentro do rio, já que só se chega ali por dentro de propriedades privadas.



Com equipamento leve-médio e médio, eu com vara até 17 lb, ele com vara até 20 lb e linhas 0,30mm monofilamento, iniciamos a tarde de pescaria com iscas de sub-superfície e superfície, com zero de ações.



Como a tarde estava muito abafada, sol muito quente, raciocinei que os peixes estavam pouco ativos, e pela temperatura da água, estavam em locais que iam de meia-água ao fundo.



Assim, resolvi usar uma isca artificial crank bait, cor vermelha, de fabricação uruguaia, comprada em uma loja em Rivera - URU.



As crank baits são iscas “gordinhas”, e seu trabalho é simples e vem do nome (crank = manivela), são iscas que são trabalhadas apenas pelo recolhimento na manivela. Eu gosto de trabalhar as cranks com pequenos e sutis toques de ponta de vara, não sequenciais, pois assim a isca "sai do lugar", fazendo um nado mais errático, imitando um peixe ferido e presa fácil aos peixes de hábitos piscívoros, ou seja, que se alimentam de peixes, como as traíras.



Foi só dar duas arremessadas e não demorou muito para a bela traíra de 1,8 kg abocanhar a crank vermelha/colorada, e começar a briga.



Mais arremessos e trabalhos de ponta de vara, e mais peixes iam entrando. Foi quando meu parceiro, que não possuía cranks em seu estojo de iscas artificiais, me pediu emprestada a "matadora da tarde", a crank colorada. Gentilmente emprestei para ele e pluguei uma Fat Rap, da Rapala.



Logo que o Maurício arremessou e trabalhou a isca, fisgou sua primeira traíra da tarde. Eu até brinquei com ele, dizendo que o peixe só veio porque a isca era minha...



Brincadeiras a parte, encerramos o sábado com um saldo de mais de 10 traíras todas com no mínimo 1,5 kg, sendo que a maior foi de 2,0 kg, e igualmente todas fisgadas com crank baits.



Já a questão da troca de iscas artificiais, mudando o tipo de ação da mesma, é uma questão de raciocínio. Para quem pesca há tempos e compreende a ação das artificiais e o comportamento de alguns peixes, entende que se as questões climáticas estão ao extremo, por exemplo, muito frio ou muito quente, o peixe fica pouco ativo, buscando maiores profundidades. Foi o que ocorreu na tarde quente e abafada, em que uma "gordinha" de meia-água foi o gatilho para uma pesca produtiva.



Pescar não é uma ciência exata. É prática. É um esporte em que além da técnica, deve se usar o raciocínio e a prudência.



Ah, e além de tudo o respeito pelo esporte deve ser em primeiro lugar. E é aí que se encontram os verdadeiros esportistas.
Fotos: 01 - A primeira traíra da tarde; 02 - Maurício e sua traíra com a minha crank colorada; 03 - equipamentos usados.