segunda-feira, 1 de março de 2010

A morte do amigo Dr. Eliseu Santos

Dr. Eliseu Santos era uma pessoa afável. Um homem de fé e um brincalhão. Era também desconfiado, e portava arma de fogo sempre consigo, junto ao corpo. Carregava, também, uma no porta-malas, para, se porventura fosse vítima de um sequestro relâmpago, colocado no porta-malas, "metia bala no vagabundo", dizia.

Dr. Eliseu, médico, foi professor de residência do meu pai no Hospital Cristo Redentor, Porto Alegre, em ortopedia e traumatologia.

Na sexta-feira, após ligação de minha mãe - incrédula ante o ocorrido - que mora na Capital, logo depois que a imprensa de lá divulgava o fato, liguei para meu pai e dei a notícia. Silêncio sombrio e emocionante no outro lado da linha: meu pai ficou profundamente chateado e atônito.

Político e evangélico, Dr. Eliseu visitava nossa casa sempre que estava por estes pagos. Da mesma forma, quando meu pai era prefeito municipal, volta e meia se encontrava com Dr. Eliseu na Capital, relembrando os bons tempos de aluno/professor e trocando ideias e planos políticos.

A última vez que eu vi e falei com o Dr. Eliseu, o qual carinhosamente o chamava de "tio" Eliseu, foi no shopping Iguatemi, na Capital, em 2007. Elegante, Dr. Eliseu estava acompanhado da bela esposa, aliás, a mesma que presenciou in loco o assassinato do marido. Depois de trocar algumas palavras, me chamando de "ribeirinho", perguntou do pai e como estava a administração no município, prometendo que logo iria aparecer para fazer uma visita, "assim que desse". Visita essa, aliás, que desde daquele ano, infelizmente, não fora concretizada.

A morte do Dr. Eliseu, íntegro e bom homem público que era, tem de ser esclarecida o mais breve possível.

Sinceramente, vendo tudo que passa na imprensa, acredito em latrocínio, e não execução. Isto porque executores de vidas, por assim dizer, não atacam em locais públicos, movimentados, em horário de fluxo de pedestres e de veículos, muito menos em bairros movimentados, como o Floresta, pertinho da avenida Cristóvão Colombo, centro da Capital.

Aliás, executar um agente político da Capital (ex-deputato estadual e pré-candidato ao mesmo em 2010 [PTB]), assim, no meio da rua e em um bairro do centro da cidade, cheio de câmeras espalhadas por prédios, sabendo que a polícia iria exercer todo o aparato e dar status prioritários ao descobrimento da autoria dos criminosos, é ação para profissionais. E assassinos profissionais não dão um "mole" desses, ao executar um político naquelas condições.

Por isso, creio que Dr. Eliseu foi vítima de um roubo seguido de morte.

Da mesma forma, abro um parêntese para a questão do porte de arma. Dr. Eliseu há muito tempo portava arma de fogo. Meu pai conta que nos intervalos das aulas na residência, ele tirava da cintura um pequeno revólver calibre .38 e mostrava para os jovens médicos residentes, por "descontração". E vejam bem: talvez os tiros (projéteis) que ele acertou em um dos criminosos, onde o sangue ficou no chão da avenida e fora coletado para análise exame DNA, levem a elucidação do crime. Assim, afirmo que graças ao porte de arma de fogo, é que o crime seja elucidado a qualquer momento. E ainda alguns são contra o porte de armas...

Enfim. Lamentamos profundamente a morte do Dr. Eliseu. Estamos chateados, assustados. Na lembrança, as coisas boas transmitidas por ele, quando em visita a nossa casa, em Santiago-RS; o sorriso meigo e os grandes olhos azuis, marcas de um homem que fez (boa) história na política e na medicina gaúcha.