A Câmara Municipal do Rio aprovou nesta terça-feira (16) o cancelamento da Medalha Pedro Ernesto concedida ao deputado Ibsen Pinheiro em 1993, pelo então vereador Francisco Duran.
O deputado Ibsen Pinheiro é o autor da polêmica emenda que redistribui os royalties do petróleo entre estados e municípios. A cassação da medalha foi aprovada por unanimidade pelos vereadores durante uma sessão na tarde desta terça.
Também nesta terça, o governador do Rio, Sergio Cabral, fez uma convocação geral da população para a manifestação nesta quarta (17), no Centro do Rio, contra a emenda do deputado Ibsen Pinheiro.
O governador reafirmou em um breve discurso que "o que está em jogo é a própria essência do estado democrático". O governador afirmou ainda que a questão não é referente ao governo dele, que seria uma questão atemporal.
O sambista Neguinho da Beija-Flor contou que não vai faltar porque está revoltado com a nova proposta: “Acham uma pedra de ouro na minha casa e sou obrigado a dividir contigo?”, indagou ele, que chegou a gravar um funk com o grupo Furacão 2000. Em um trecho, ele canta: “Alô Congresso! Alô presidente Lula! “Arra urrú! O petróleo é nosso! O Rio de Janeiro viu primeiro!”.
O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, informou, por meio de nota oficial, que a redução dos royalties pela exploração de petróleo vai deixar o estado do Rio de Janeiro sem condições de fazer as obras necessárias para os Jogos Olímpicos. O novo modelo de partilha foi aprovado na Câmara dos Deputados na última quarta-feira (10) e ainda vai ser votado no Senado.
E os gaúchos é que são bairristas?
O petróleo e o pré-sal são de todos os brasileiros, e não patrimônio carioca. Que a rompante carioquice ainda impera por aí, com seus arrotos aromatizados de caviar, isso todos sabemos. Agora, cassar medalha benemérita concedida a deputado federal que apenas propõe o rateio de bilhões para todos os brasileiros, é tão absurdo quanto a ditadura militar encabeçada (também) nos palacetes fluminenses, torturando e assassinando cidadãos como políticos, estudantes e advogados.
Parece-me que alguns cariocas ilustres perderam a vergonha na cara. Um governador afirmando que a essência democrática esta ferida? Ora, pelo contrário. Rateado os royalties do petróleo, que descoberto em território antes de tudo brasileiro, é perfectibilizar o princípio democrático e republicano da igualdade, isonomia ou equidade.
E caso assim não seja, daqui a alguns anos, quando a água potável estiver escassa e todo o mundo se virar para o nosso aquífero guarani, dará o direito da divisão dos royalties apenas entre os estados do Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná, Goiás, Minas Gerais, Santa Catarina e Mato Grosso, estados onde a área do aquífero ocupa.
Aí, torçam para que a boa vontade impere e que o revanchismo não atue, pois pode ser que se esse episódio for lembrado, os cariocas sofram com a sede.