segunda-feira, 8 de março de 2010

Diário de uma pesca com caiaque

Nas horas de folga um dos meus hobyes é a pesca. E pescar é estar em contato direto com a natureza, com tudo que Deus nos proporciona sem nenhum custo.
Pescar em um caiaque, sem barulho de motor de popa nem cheiro de combustível, ficando quase que na flor d'água, é uma sensação ímpar.
No último sábado, eu e meu amigo pescador Maurício Nicola Dalosto, fomos a um piscoso rio a aproximadamente 40 km de Santiago. O nome do rio omitirei, visto que os pescadores "predadores" que usam as covardes redes de pesca e enchem um saco de peixes - na maioria sem o tamanho mínimo exigido pelos padrões e obrigatórios pelo IBAMA - não vão muito a esse local porque consideram que não haveria mais peixes (decerto porque acham que já mataram todos).
Graça a Deus, ledo engano: o rio mostra vida, e comprovamos isso.
Na companhia do coronel do exército Dalosto, que fisgou alguns peixes na pesca de barranco, saímos às sete horas da manhã rumo ao rio.
Camioneta descarregada, caiaques carregados, iniciamos por volta das nove horas da manhã a pescaria, descendo o rio cerca de 2km na parte da manhã e subindo o rio cerca de 1km na parte da tarde.
Na parte da manhã, várias ações nas nossas iscas artificiais. Maurício, com uma isca jumping minnow (zigue-zague), fisgou uma bonita traíra, que logo chegando ao caiaque para ser embarcada, conseguiu se livrar das garatéias e escapou. Escapou em parte, porque só iria ser fotografada e voltaria ao rio.
Eu tive algumas boas ações nas iscas de sub-superfície e superfície, mas não consegui fisgar o peixe do jeito necessário para embarcar, ou seja, depois do primeiro tranco, o peixe - dando cabeçadas - conseguiu se livrar da isca.
Sol quente, encerramos ao meio-dia as atividades. Chegando no improvisado mas organizado acampamento, Maurício assou um belo churrasco, onde nós três refizemos as energias para a tarde.
As três horas da tarde, reiniciamos a pescaria. Subindo o rio, logo nos deparamos com o primeiro obstáculo: queda d'água. Para não corrermos riscos de virar a pequena embarcação, perdendo equipamentos e molhando máquinas fotográficas, optamos por fazer a travessia desembarcados, puxando os caiaques.
Ao passar a queda d'água, avistamos no horizonte outra queda, porém com menos pedras e correnteza.
Raciocinando que estaríamos pescando entre duas pequenas cachoeiras, ou quedas d'água, vislumbrei o lugar ideal para o dourado: águas rápidas.
Remando um pouco mais acelerado, para chegar mais perto da outra "quedinha", disse para meu parceiro de pesca: "é ali que vou pegar um dourado, hoje". Meu parceiro não disse nada. Logo percebi que ele estava "meio" incrédulo sobre o que eu disse...
Arremessei uma isca artificial Z90, da Deconto, cor osso, trabalhei ela com nado em "z", e na segunda trabalhada o pequeno mas valente dourado "encharutou" a isca. Gritos pra todo lado, adrenalina a mil e o rei do rio pulando três, cinco vezes para se livrar da isca. Com todo cuidado, peixe embarcado, admirado (lindo brilho amarelado), filmado, fotografado e devolvido às águas.
Minutos depois, meu parceiro Maurício engatou uma linda traíra usando uma isca de meia-água. Traíra com uma listra prateada que ainda não havia visto. Novamente, peixe fotografado e devolvido às águas.
Mais tarde, quase encerrando o dia de pesca, uma grande traíra abocanhou minha isca de meia-água, deu duas cabeçadas e estourou minha linha. Deveria ter mais de 3kg. Minutos depois, vejo minha isca boiando na água, ou seja, ela deve ter cabeceado a artificial até soltar. Bom para ela e para mim, pois não tive prejuízo...
E as seis e meia da tarde encerramos a pescaria em caiaque. A praticidade do equipamento é fantástica. Claro, remar toda hora cansa um pouco, mas não tanto quanto se imagina. E o prazer do contato mais próximo com a natureza, compensa o esforço despendido para remar.
Logo voltaremos àquele rio. Inclusive, já o elegemos o nosso mais novo "CT" (centro de treinamento) para dourados e traíras de bom tamanho em rio, perto de Santiago - RS.

Para quem gosta de pescar, de conservar e preservar a natureza, ela retribui. E Ele que criou, da mesma forma.
Preserve e contemple as benesses desse ato.
(Fotos: 01 - a descida do rio; 02 - o dourado; 03 - traíra, 04 - dourado devolvido ao rio)