segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

A cultura do "corpo perfeito" e as fraquezas humanas

Mariana Bridi tinha apenas 20 anos. Aos 18, ganhou o mundo. Fez fotos na África, na China. Destacou-se em concursos de beleza. Virou orgulho na cidade onde nasceu - Marechal Floriano, região serrana do Espírito Santo, onde foi sepultada.

No fim do ano passado, no dia 30 de dezembro, Mariana sentiu dores nas costas. Procurou o hospital-maternidade de Vila Velha, na Grande Vitória. Os médicos disseram que era cólica renal e receitaram um analgésico.

Alguns dias depois, a modelo voltou a sentir dores e foi para um posto de saúde da prefeitura de Vitória. Os exames de urina constataram a infecção. Com dificuldades de respirar, ela foi transferida para o Hospital Dório Silva na Grande Vitória.

O quadro já era grave. A infecção já havia se espalhado pelo corpo. Os médicos tiveram que amputar pés e mãos. As complicações aumentaram. Ela entrou em coma e não resistiu. “É uma dor que não tem tamanho”, define o pai da modelo. O enterro foi sábado (24/01) em Marechal Floriano. A missa reuniu centenas de pessoas que também seguiram o cortejo para se despedir.

A modelo Marina Bridi tinha uma beleza bem brasileira: cabelos pretos, cor da pela morena. Como toda modelo, devia adorar seu corpo, cuidando-o e o esculturando em academias de ginástica.

Como toda modelo, devia comer pouco. E quem come pouco, fica com baixa resistência no organismo, mais suscetível de contrair vírus e infecções causadas por bactérias, aliado ao fato de que as notícias que acompanhamos levam ao quadro de possível erro médico.

Não obstante, apesar de todas as capas de revistas, dos corpos perfeitos e muitas vezes "artificiais" com a popularização do uso do silicone, as fraquezas humanas são visíveis.

Um rostinho bonito não dá blindagem contra vírus e infecções. Quem busca o "corpo perfeito" (não confunda com exercícios físicos fundamentais à saúde), muitas vezes esquece até dos prazeres mais triviais que a vida proporciona, como comer aquilo que dá vontade.

E é cada vez mais evidente a perda de qualidade de vida de modelos, em virtude da busca desvairada pela beleza.

Pode essa jovem modelo falecida ter protelado sua adolescência em busca de sua carreira. E a vida cobra seu o preço; muitos cuidados com o corpo nem sempre são sinônimos de boa saúde, como lipoaspiração, plásticas, halterofilismo, fisiculturismo, musculação e etc.

As fraquezas humanas tornam-se cada dia mais inquietantes, onde nem os mais "perfeitos" estão imunes às malignas doenças.

Que Deus abençoe e conforte a família desta jovem.